Reflexão sobre o texto "Os ultra-ricos preparam um mundo pós-humano"

      O texto de Douglas Rushkoff aborda uma reunião que ocorreu entre o autor e bilionários preocupados em como usar a tecnologia em prol de sua própria sobrevivência após um evento catastrófico, fazendo uma crítica ao individualismo e ao uso da tecnologia atualmente. Minha primeira reação ao texto foi me espantar que sujeitos super-ricos, que provavelmente tem uma influência profunda nas maiores corporações do planeta, e, consequentemente, poderiam impactar imensa e positivamente no cenário mundial, preferem preparar um futuro digital que os permita escapar do "evento" à alternativa, se proteger ao invés de ajudar o coletivo. Porém, tal comportamento egoísta não é exclusivo dos bilionários, a sociedade, principalmente a parcela das classes média e alta, se recusa a abandonar padrões de consumo e de degradação alimentados pelo mundo capitalista, ignorando suas repercussões para o meio ambiente e para as camadas mais pobres. Antes de cobrarmos mudança da elite absoluta, não seria primordial avaliar o que nós mesmos fazemos para melhorar o mundo? As grandes corporações obviamente não estão isentas de responsabilidade, pelo contrário, são as maiores culpadas, porém é simplesmente ingênuo esperar que elas se auto-corrijam. A tecnologia, que tem o potencial de promover um futuro mais igualitário e inclusivo, mas é utilizada diariamente por grande parte da população sem a menor reflexão, sendo assim, apenas colaboramos para a agenda das empresas de reduzi-la à exploração e à obtenção de lucro. Após a discussão em grupo, foi possível relacionar o tema à habitação, que é utilizada como uma forma de se "isolar" das mazelas da sociedade (muitas vezes através de adventos tecnológicos), permitindo que os moradores, principalmente dos condomínios fechados, ignorem tais problemas e vivam confortavelmente, promovendo ainda a segregação social e contribuindo para o ciclo destrutivo do individualismo.

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